Arquivo da categoria: games

Batman nos games: tecnologia e ressignificações sociais

Batman - Comparação1 Publiquei no blog do grupo de estudos Sociotramas “Batman nos games: tecnologia e ressignificações sociais”. Uma pequena viagem por alguns autores clássicos e reflexões sobre como um produto — no caso, jogos digitais de Batman — se modifica (ou não!) ao longo dos anos a respeito de estética, diversão e relações sociais. Acesse aqui o texto na íntegra.

Redes sociais, metonímias e precisão

A expressão “redes sociais”, apesar de já estar meio incomodamente gasta — atirada para todos os lados —, mesmo assim merece status de bem mais do que “modinha”, pois não parece (talvez, nem possa ser) algo passageiro.

Isto fica mais evidente se analisarmos a expressão com algum cuidado: em sua essência, redes sociais são estabelecidas entre pessoas (ver segundo parágrafo do link), seja como e onde for. O contexto digital simplesmente pegou emprestada a expressão “redes sociais” e, por tratar-se aquele contexto da grande arena social e comunicacional da contemporaneidade, metonimicamente fizemos das “redes sociais digitais” as “redes sociais” (e, de forma curiosamente antimetonímica, vice-versa). Em outras palavras, as noções de redes sociais e de redes sociais digitais estão se misturando, de fato.

Se expressarmos aberta e claramente a consciência do que mencionei acima, podemos, pois, seguir usando “redes sociais” ao tratarmos do âmbito digital sem prejuízo quanto à precisão das ideias. Isto vale tanto para um artigo acadêmico, quanto para um mais informal e breve “blog post”, caso deste tecnologicamente problematizado lugar aqui visitado por você — que também é um espaço social digital (ver páginas 23-26 do link).

Excessos fatais

Após uma espera de cerca de uma década por ávidos gamers do mundo inteiro, Diablo 3 foi finalmente lançado em 15 de maio deste ano. Trata-se de um ARPG, ou seja, um Action Role-Playing Game, jogo de interpretação em que a “ação” (via mouse e teclado) é prioridade — e não a interpretação, de fato. Diablo 3 também é, a rigor, um MMOG (massive multiplayer online game, jogo maciço para múltiplos jogadores). Além  de ser obrigatório estar conectado à Internet — mesmo no jogo solo —, há muitas facilidades na interface para estimular o jogo em grupos, que podem ter até quatro jogadores com seus respectivos avatares (personagens criados pelos jogadores, que os representam e controlados por eles).

Outra designação popular para jogos como Diablo 3 é “hack’n slash” (algo como “bater e cortar”), exatamente pela ênfase ser em “clicar e matar” os inimigos. Não por acaso, Diablo sempre teve a fama de ser  um “destruidor de mouses”…

No entanto, se Diablo 3 estragasse apenas mouses (também namoros e casamentos!), não seria tão ruim. Infelizmente, parece que Diablo 3 foi decisivo para levar um jovem taiwanês de 18 anos à morte. Chuang teria jogado Diablo 3 por cerca de 40 horas consecutivas — e sem comer nada. É razoável imaginar que ele tenha se levantado o mínimo possível, talvez para beber água algumas vezes e ir ao banheiro. Mas imagina-se que todo aquele tempo sentado, sem comer, e a fadiga acumulada ao longo da maratona teriam provocado um problema cardiovascular. Pior: não se trata da primeira vez que mortes são ligadas a excessos do entretenimento digital dos games, inclusive ao próprio
Diablo 3
, recém-lançado.

A exemplo de outros comportamentos compulsivos, jogar games também pode acabar com a vida de alguém — direta e indiretamente. No nível mais essencial, vícios e excessos de toda sorte — presenciais e digitais — levam, frequentemente, a problemas parecidos; especialmente, à alienação de atividades necessárias a uma rotina de vida mais saudável — e isso inclui a alienação de outras pessoas, também.

Mesmo em um jogo online, que tem sua dimensão social, a compulsão não pode terminar bem. Fica mais fácil refletir a respeito se considerarmos o comportamento intenso demais de torcidas de futebol fanáticas por seus times: trata-se de uma atividade social protegida, de certa forma, pelo costume, por manifestar-se do jeito “tradicional”, convencionalmente aceito — ou seja, presencial. Mas, como bem sabemos, torcedores fanáticos também podem provocar tragédias.

Há muito o que ser explorado e estudado a respeito das compulsões e excessos comportamentais em contextos digitais. No entanto, para início de conversa, o bom senso parece útil o bastante — e pode ser resumido em apenas uma palavra: moderação. Afinal, Diablo pode esperar mais um pouco para ser derrotado. Faça uma refeição, ligue para seus pais, cuide de seus filhos e cachorrinho.