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Etiqueta móvel: as árvores somos nós

A Intel já tem os resultados da pesquisa anual “Mobile Etiquette” ou “Etiqueta Mobile” para 2012. O estudo conduzido pela Ipsos Observer em oito países — Brasil incluso — aponta resultados interessantíssimos. Alguns que aqui destaco:

• Nos EUA, 85% dos adultos compartilham informações online.
• No Brasil, aproximadamente 50% ou metade dos adultos e adolescentes compartilham informações online diariamente.
• Os brasileiros também compartilham informações online no banheiro (16%), cinemas (14%), durante um encontro romântico (13%) e funerais (3%).
• Ainda no Brasil, 33% dos adultos admitiram ter uma personalidade on-line diferente da vida real, enquanto 23% admitiram ter compartilhado informações pessoais falsas pela rede. Os homens são um pouco mais mentirosos do que as mulheres — 26% contra 21%.

E algo que considero problemático — e emblemático! — das interações digitais aparece reforçado pela pesquisa:

• A maioria dos adultos e adolescentes diz que as pessoas cometem “excessos no compartilhamento” e divulgam informações demais online.

Pois bem. O que chamei semanas atrás de narcisismo digital certamente é um dos elementos a considerarmos aqui: nenhuma vitrine se compara aos SRS (serviços ou sites de redes sociais). As pessoas simplesmente não resistem ao chamado da sereia cibernética; mais do que isso, apreciam, desejam, bebem desse néctar inebriante de zeros e uns com muito gosto. Seja para entulhar a timeline de nosso Facebook com fotos do que almoçaram, piadinhas de gosto duvidoso… Ou enviando indiretas para indivíduos publicamente. O que é, de certa forma, paradoxal — entre outras coisas menos elegantes.

Mais um detalhe curioso e contraditório indicado pela pesquisa “Etiqueta Mobile” de 2012 é que, apesar das pessoas estarem nitidamente incomodadas com esses excessos de informação e de compartilhamento online — e com a “falta de educação” dos outros —, elas não parecem dispostas a abrir mão do que reclamam. Ou seja, considerados prós e contras, o desejo de ficar digitalmente em evidência é ainda (muito) maior do que a vontade de comunicar-se em um ambiente menos poluído — onde é possível enxergar árvores “individualis” na floresta “digitalis”. E/ou, talvez, o referido incômodo seja, tão somente, a expressão do desagrado com a concorrência por visibilidade nas redes sociais digitais.

Egos inflados como bolhas em uma espuma; ou balões de hélio, segurados por estruturas tão frágeis — e esbarrando-se todo o tempo. Onde isso vai dar?

P.S.: se você pensou naquele vídeo sobre árvores e nozes… Pode se divertir um pouco clicando aqui. ;- )

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